VELA ROSA 18/06/2007

Essa semana que passou (18/06), fizemos uma grande roda da Vela Rosa, em breve teremos um novo caderno que irá dar inicio ao 7 ano da comunidade.

Os sambas apresentados foram:

01. IMPOSSIVEL TÊ-LA (Wagner Santos/Carlos Costa)
02. DE JANEIRO A JANEIRO (Chapinha)
03. POVO GUERREIRO (Willian Borges/Ricardo Rabelo)
04. REFLEXÃO (Cacá Barbosa/Augusto César)
05. VIDA PERFEITA (Bebeto)
06. RAIZ DA RAIZ (Toinho/Jorge/Augusto/Cacá/Bebeto)
07. COM ELA EU APRENDI (Bruno Bis)
08. ATIRE A PRIMEIRA PEDRA (Afonso de Souza / Seu Juca)
09. BOTA O JOGO (Tiago Santos)
10. PEÇO DESCULPAS (Mário Leite)
11. *SEM TÍTULO (Nino Miau)
12. *SEM TÍTULO (Paqüera)
13. *SEM TÍTULO (Magnu Sousá / Maurilio de Oliveira)

MATÉRIA SOBRE A VELA – REVISTA INTEGRAÇÃO

Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor – CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará .

Toda noite de segunda feira é dia de confraternização no Centro Cultural Comunidade de Santo Amaro. Os amantes de uma vida comunitária encontram ali o espaço ideal para um encontro inesquecível em suas vidas. A estratégia utilizada pela Associação Cultural Comunidade de Santo Amaro para que a “casa” sempre esteja lotada fundamenta-se em um dos componentes mais importantes da alma brasileira que é a nossa musicalidade.

Atraídos pelo “Samba da Vela” cidadãos das mais distintas classes sociais formam uma longa fila para disputar um lugar no salão principal do centro cultural. A criatividade dos membros da associação faz parte da ampla gama de tecnologias sociais inovadoras que estão transformando as relações sociais em nossa sociedade em busca de uma estrutura mais igualitária e amigável. Para administrar da melhor maneira possível o uso do espaço aberto do salão principal e para que todos pudessem participar de uma comunhão de emoções, a Associação resolveu reunir um maravilhoso grupo de sambistas em torno de uma pequena mesa central. Nela as 8:30 horas de cada segunda feira, uma vela em um protegido e rico castiçal é acesa e o samba rola até que a vela se apague lá pelas 11:30, o que, quando acontece, todos os presentes lamentam.

Em torno da mesa são disponibilizadas cadeiras que são geralmente ocupadas pelos madrugadores. Os demais permanecem em pé se comprimindo no espaço que sobra, o que de certa forma é uma boa, já que poderão, quando possível devido ao aperto botar samba no pé e no corpo. Além dos sambistas Paquera e Chapinha que puxam sambas de suas autorias, outros sambistas autores comparecem e quando convidados se aproximam da mesa para cantar suas inspiradas criações. Desde os mais idosos aos mais jovens todos tem a oportunidade de se manifestar através de suas músicas e letras. Na noite em que estive presente apresentou-se a Tia Dita, uma senhora negra, que certamente tem mais de oitenta anos, que com o seu maravilhoso samba intitulado “O Bloco do Pé Inchado” eletrizou os presentes formando um estrondoso coro. Outro sambista que recebeu os mais acalorados aplausos foi o mais novo a se apresentar. Trata-se de um jovem que nos seus 14 ou 15 anos que compôs um samba com uma primorosa poesia que mexeu com os sentimentos de todos. Além de Tia Dita, foi o mais aplaudido na noite. Seu pai, o puxador de samba Chapinha, não pode conter a emoção desmanchando-se em lágrimas. Assim como o pai, todos com certeza viveram naqueles momentos uma emoção única em suas vidas. Na noite além de sambas que mexeram com nossas emoções não faltou a letra de protesto que veio de encontro à nossa indignação pela situação de miséria e violência em que vive nosso povo. Chapinha mandou ver no verso que dizia:

“…Até quando?
A gente vai suportar tamanha violência
Nossas autoridades não têm competência
Pra resolver os problemas da sociedade
Até quando?….”

A Associação Cultural Comunidade de Santo Amaro se constitui em um belíssimo e inédito exemplo de prática de atividade sócio-cultural, criando uma consciência cidadã e oferecendo a oportunidade de manifestação cultural para nosso povo. Constitui-se em uma verdadeira universidade popular, já que socializa conhecimento e desperta a consciência cidadã através da música. O seu objetivo é poder oferecer aos jovens da periferia a oportunidade de participarem de um processo de inclusão social fundamentado no ensino musical. O sonho da associação é implementar tal projeto, mas para tanto necessita de apoio do município e de doadores.

A associação deve ser apoiada por todos nós já que enfrenta grande dificuldade para a sua sustentabilidade. Sua maior fonte de recursos advém da venda de ingressos para o show do Samba da Vela. E custa o insignificante valor de R$2,00. Um valor ínfimo pela inestimável lição de vida e cidadania que nos oferece.

merege@fgvsp.br

Clique – REVISTA ELETRONICA INTEGRAÇÃO

LUTO NA COMUNIDADE

Não podemos deixar de prestar a nossas sinceras homenagens ao Velho Petrólio, pai de Jonatas Machado, um dos membros da Comunidade Samba da Vela, desejando a toda família os nossos devidos pesames e toda energia que emana da flama.

 Que a divina luz o ilumine nessa nova jornada, e que você esteja paz de todas as vibrações.

A Comunidade Samba da Vela

PRETO, PRETA

Magnu Sousá (Soneto inverso)

Negro, usada por toda uma vida
Palavra! Mal interpretada!
No Brasil tão confundida

Negra, quisera de todo uma raça
Ver a mentira expelida
Sentença que a fez de caça

Casta, corrente linda africana
Saber de filhos, segrega
Fora chamada de negra
Que a mente do preto engana

Dia negro e Humor, Fome negra e Magia, lama
Ovelha, Lista e Peste negra, cama
Tira a força do Ser Preto, drama
Trazendo-lhe injusta fama

SP, Abril, 2007

INSTRUMENTOS DA ANTIGA

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Este é um samba recente. O áudio foi gravado no Samba da Vela.
Aproveite para ouvir as palavras do Osvaldinho a respeito do Surdo de Barrica o qual o samba abaixo se refere.

INSTRUMENTOS DA ANTIGA
(Osvaldinho da Cuíca/Magnu Sousá/Maurílio de Oliveira)

Frigideira de pobre
É instrumento de bamba
Que na roda do samba
Nunca pode faltar
É coisa da antiga, dos terreiros
Dos batuqueiros a improvisar
Que quando o sambista com suas pastoras
Encontravam pra sambar
O Reco-Reco era faca e um prato raiado
Que o malandro no sapateado
Tirava pra desacatar, a velha cuíca
E o surdo também de barrica improvisado

Para a pastora cantar
Na beleza sonora de um cavaquinho
O samba ia até o dia clarear…

GUARDIÕES E FUNDADORES DO SAMBA DA VELA (clique aqui)

 

Pelo visto, esta é a única agremiação a qual os fundadores são mais novos perante ao pessoal da Velha Guarda, dentre eles um ilustre convidado – Osvaldinho da Cuíca – o padrinho dos Guardiões da Vela.

De pé, os GuardiõesGilberto Alves, Mano Heitor, Carlos Costa, Osvaldinho, Seu Afonso e Vó Suzana.

Abaixados, os Fundadores da VelaMagnu Sousá, Paqüera, Maurilio e Chapinha.

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