QUINTETO NA EUROPA COM A MADRINHA BETH

Olá meu povo, quem vos fala é Magnu Sousá, ficamos muito felizes por mais um grande aniversário, o qual nos dá título de pré adolescência no samba. Bem, são 7 anos, e neste 7 a gente vem aprendendo, digamos que estamos cursando já uma universidade no mundo do samba, sempre concentrados na educação músical, na propostal que temos a seguir, pois ela, a música é a única dádiva que não prejudica a natureza.

Estamos retornando ao Brasil com a certeza de que teremos um ano 8 cheio de trabalho e realização.

Salve os 10 anos de Quinteto, os 7 anos da Vela e os 42 anos de carreira da Madrinha sagrada de todos os sambistas.

Beth e QBP - Portugal Mealhada

7 Anos de Glórias – Aniversário do Samba da Vela*

7 Anos da Vela

SETE ANOS DE GLÓRIAS
(Magnu Sousá / Adriano Carollo)

Sete anos de glórias
que se fazem presentes
cravados em minha mente
nos lugares onde vou
com saudade relembro
nossos primeiros dias
tamanha euforia
sua luz nos proporcionou
seu passado recente
já trouxe várias conquistas
não só para o sambista, mas também
pra cultura popular
e com pranto contido
me calo ao ver a sua luz
iluminando Santo Amaro

Sete anos vividos
pois a nossa bandeira
hoje é a primeira
porta voz do meu País
que ecoa nos ares
nos diversos lugares
e retira dos lares
tanta gente fiel assim
toda segunda feira é a maior alegria
tamanha euforia e nosso povo
feliz a cantar
e com pranto contido reparo
que valeu a sua luz iluminar meu Santo Amaro (mais…)

VELA ROSA 18/06/2007

Essa semana que passou (18/06), fizemos uma grande roda da Vela Rosa, em breve teremos um novo caderno que irá dar inicio ao 7 ano da comunidade.

Os sambas apresentados foram:

01. IMPOSSIVEL TÊ-LA (Wagner Santos/Carlos Costa)
02. DE JANEIRO A JANEIRO (Chapinha)
03. POVO GUERREIRO (Willian Borges/Ricardo Rabelo)
04. REFLEXÃO (Cacá Barbosa/Augusto César)
05. VIDA PERFEITA (Bebeto)
06. RAIZ DA RAIZ (Toinho/Jorge/Augusto/Cacá/Bebeto)
07. COM ELA EU APRENDI (Bruno Bis)
08. ATIRE A PRIMEIRA PEDRA (Afonso de Souza / Seu Juca)
09. BOTA O JOGO (Tiago Santos)
10. PEÇO DESCULPAS (Mário Leite)
11. *SEM TÍTULO (Nino Miau)
12. *SEM TÍTULO (Paqüera)
13. *SEM TÍTULO (Magnu Sousá / Maurilio de Oliveira)

MATÉRIA SOBRE A VELA – REVISTA INTEGRAÇÃO

Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor – CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará .

Toda noite de segunda feira é dia de confraternização no Centro Cultural Comunidade de Santo Amaro. Os amantes de uma vida comunitária encontram ali o espaço ideal para um encontro inesquecível em suas vidas. A estratégia utilizada pela Associação Cultural Comunidade de Santo Amaro para que a “casa” sempre esteja lotada fundamenta-se em um dos componentes mais importantes da alma brasileira que é a nossa musicalidade.

Atraídos pelo “Samba da Vela” cidadãos das mais distintas classes sociais formam uma longa fila para disputar um lugar no salão principal do centro cultural. A criatividade dos membros da associação faz parte da ampla gama de tecnologias sociais inovadoras que estão transformando as relações sociais em nossa sociedade em busca de uma estrutura mais igualitária e amigável. Para administrar da melhor maneira possível o uso do espaço aberto do salão principal e para que todos pudessem participar de uma comunhão de emoções, a Associação resolveu reunir um maravilhoso grupo de sambistas em torno de uma pequena mesa central. Nela as 8:30 horas de cada segunda feira, uma vela em um protegido e rico castiçal é acesa e o samba rola até que a vela se apague lá pelas 11:30, o que, quando acontece, todos os presentes lamentam.

Em torno da mesa são disponibilizadas cadeiras que são geralmente ocupadas pelos madrugadores. Os demais permanecem em pé se comprimindo no espaço que sobra, o que de certa forma é uma boa, já que poderão, quando possível devido ao aperto botar samba no pé e no corpo. Além dos sambistas Paquera e Chapinha que puxam sambas de suas autorias, outros sambistas autores comparecem e quando convidados se aproximam da mesa para cantar suas inspiradas criações. Desde os mais idosos aos mais jovens todos tem a oportunidade de se manifestar através de suas músicas e letras. Na noite em que estive presente apresentou-se a Tia Dita, uma senhora negra, que certamente tem mais de oitenta anos, que com o seu maravilhoso samba intitulado “O Bloco do Pé Inchado” eletrizou os presentes formando um estrondoso coro. Outro sambista que recebeu os mais acalorados aplausos foi o mais novo a se apresentar. Trata-se de um jovem que nos seus 14 ou 15 anos que compôs um samba com uma primorosa poesia que mexeu com os sentimentos de todos. Além de Tia Dita, foi o mais aplaudido na noite. Seu pai, o puxador de samba Chapinha, não pode conter a emoção desmanchando-se em lágrimas. Assim como o pai, todos com certeza viveram naqueles momentos uma emoção única em suas vidas. Na noite além de sambas que mexeram com nossas emoções não faltou a letra de protesto que veio de encontro à nossa indignação pela situação de miséria e violência em que vive nosso povo. Chapinha mandou ver no verso que dizia:

“…Até quando?
A gente vai suportar tamanha violência
Nossas autoridades não têm competência
Pra resolver os problemas da sociedade
Até quando?….”

A Associação Cultural Comunidade de Santo Amaro se constitui em um belíssimo e inédito exemplo de prática de atividade sócio-cultural, criando uma consciência cidadã e oferecendo a oportunidade de manifestação cultural para nosso povo. Constitui-se em uma verdadeira universidade popular, já que socializa conhecimento e desperta a consciência cidadã através da música. O seu objetivo é poder oferecer aos jovens da periferia a oportunidade de participarem de um processo de inclusão social fundamentado no ensino musical. O sonho da associação é implementar tal projeto, mas para tanto necessita de apoio do município e de doadores.

A associação deve ser apoiada por todos nós já que enfrenta grande dificuldade para a sua sustentabilidade. Sua maior fonte de recursos advém da venda de ingressos para o show do Samba da Vela. E custa o insignificante valor de R$2,00. Um valor ínfimo pela inestimável lição de vida e cidadania que nos oferece.

merege@fgvsp.br

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