Categoria: Poemas / Poesias

NOVA LIÇÃO

Foi tudo má impressão
Limpo está meu coração
Em prol do amor e da união
Disse sim por muitas vezes
Quase nunca disse um “não”
E o “não” que veio a tona
Foi um não com incerteza
Foi um “não” sem solução
Foi um “não” sem a beleza
Inclusive que nem disse
Pelo contrário, ouvi
Sem saber do agravante
Que no acaso, singeleza
Nessa hora merecia
Sem maldade… E sei que sim!

Sou poeta
Claro! Quem sabe, bom melodista
E da vida antiprojeto. Um, entre tantos, artista.
Sem diretriz, sem padrão
Sou qual ave desgarrada nas injurias da paixão
E sei que nos confins da vida
Aprendiz de outra lição
Que poesia verdadeira
Careça talvez de ilusão

São Paulo, 20/02/2002
Magnu Sousá

CONTENTO

Soneto
(Magnu Sousá)

Parece que tempo não pássa
Pairando na gente, atoa
Tempo… Quem ora semeia
Se chora, pra mode “avoa”

Sistematizo o contento
E até agradeço por todos os dias
Lá tenho cá meu lamento
Que sangra momentos da minha alegria

Aceito, coitado, confesso, doe menos
Tão néscio que desconhecia
Até a camisa de Vênus

Se a todos o final viria
Se o preço do mundo é tempo que temos, me diz:
Que diferença faria?

20/06/2016

FIRMAMENTO

Eu sempre acreditei na poesia
Na bela letra que continha
A alma do compositor
E eu que ultrapassei as armadilhas
E cantei com primazia
A canção que Deus letrou

Fui da fragilidade ao firmamento
Com ternura e sofrimento
E as passagens na retina
Quando choro molho meu pandeiro
E nessa hora outra canção
Até que se feche a cortina

09/02/2004

SONHO DE CRIANÇA

(Magnu Sousá)

Crianças, balança, bagunça
Bala, balão, chocolate
Bola, bolo, brigadeiro
Vermelho, verde, amarelo
Pipoca, picadeiro, bichos
Trapézio, elefante, palhaço
Gigante, mulher maravilha
Espada, faquir e gangorra
Beleza, amor e teatro
Se inventa, mesmo que sem lona
Minha caçula encantada
Galhadas, muitos micos
Triste feliz palhada
Que faz da ilusão, o circo

DESILUSÃO

Às vezes, penso ser e apenas estou
Outras, penso ter, e do pouco que me resta, preciso me desfazer
Bagunça, bagagens e memórias, coisas que parecem futeis, mas que outrora, envolto de ilusões, me perdi e me encontrei
De fato a ilusão nos cega, ao passo que o oposto dela, ou dá mais vontade de prosseguir, ou nos tira de vez de tudo
Contudo! Óh desilusão!
Para uns, clarividência! Para outros, desmotivação!
Eis então a confusa sabedoria, ao longo da vida, adquirida.
Será que valeu?
Será que, o que buscamos é tudo que vive a maioria? Ou será um certo sistema que faz com que todos estejamos cegos em busca de algo que não sabemos e nem desejamos.
Será o destino o detentor do poder?
Parece que mudar o destino, faz parte do próprio destino.
Sobretudo, espero continuar seguindo apenas, e se for vontade do destino, terei de me desprender de coisas que jamais desapego. Quanto às lembranças, só saem do peito, quando abandonar-me a consciência. Bagagens, ora! Estas são bobagens!